26/08/2014 --- Os 125 anos de Irizar


Os 125 anos da Irizar

Com resultados positivos no ano passado, o grupo Irizar comemora 125 anos de atividade e se prepara para os novos desafios do mercado de ônibus

Na região basca de Ormaiztegi, no norte da Espanha, na pequenina e bucólica cidade de Ormaiztegi, com apenas 1,3 mil habitantes, onde o principal símbolo é seu viaduto – uma estrutura metálica construída no século 19 para a linha de trem MadriIrun, – a família Irizar começou em 1889 um pequeno negócio de ferragens e rodas para carruagens que deu início a uma das mais sólidas indústrias de carrocerias para ônibus da atualidade.

Cento e vinte e cinco anos depois, a Irizar é hoje o principal motor econômico de Ormaiztegi, mas foi muito além das fronteiras da província de Guipúzcoa, no País Basco, e expandiu suas atividades para outros continentes, reunindo hoje plantas de produção de ônibus em seis diferentes países (Espanha, Brasil, México, Marrocos, Índia e África do Sul) e outras cinco companhias, fruto de sua diversificação industrial: a Hispacold, especializada em climatização para o setor de transporte rodoviário e ferroviário; a Masats, fabricante de componentes e sistemas de portas pneumáticas e elétricas e elevadores para pessoas com mobilidade reduzida; a Jema, empresa da área de eletrônica de potência; a Datik, que desenvolve soluções ITS para gestão e aumento de segurança no transporte; e a Alconza, fabricante de motores e geradores elétricos.

A despeito da situação econômica mundial dos mercados europeus e, principalmente, do mercado espanhol, o grupo atingiu no ano passado um recorde de faturamento de 556 milhões de euros, um crescimento atribuído pela própria empresa à solidez da marca Irizar – que é uma referência mundial na produção de ônibus de alta qualidade – e das demais marcas que compõem o grupo.

“É com orgulho e emoção que celebramos este importante aniversário, num momento com uma sólida situação financeira e de grande crescimento do nosso grupo. A Irizar deu os seus primeiros passos em 1889, fabricando rodas para carruagens e diligências, e começou a construir carrocerias para ônibus na década 20 do século passado. Após os seus primeiros 74 anos de vida como empresa familiar, propriedade da família à qual deve o seu nome, a Irizar transformou-se numa sociedade cooperativa em 1963 e assim se mantém até hoje”, declara José Manuel Orcasitas, diretor geral do grupo Irizar. “O nosso objetivo é garantir o futuro e a nossa missão é crescer, gerar riqueza e emprego”, acrescenta.

Ele assinala que, além de ser hoje um grupo sólido, diversificado geográfica e industrialmente, é uma companhia que se projeta pela marca, pela tecnologia e pela sustentabilidade, além de seus produtos que vão desde ônibus rodoviários até ônibus urbanos elétricos e outros itens dos diferentes setores em que está presente.

A planta industrial de Ormaiztegi manteve participação relevante nas atividades do grupo ao longo dos anos. Do total de 5.368 ônibus produzidos em 2013, cerca de 35%, ou perto de mil veículos, foram fabricados na unidade basca, com destino aos mercados da Europa e de Israel. Do faturamento total, 34% correspondem à fábrica de Ormaiztegi, 46% às demais plantas de ônibus da Irizar no mundo e 20% ao faturamento conjunto com as demais empresas do grupo Irizar. Devido ao alto grau de internacionalização e diversificação, 88% do faturamento total correspondem às exportações.

Essa relevância da unidade sede refletiu também em novos investimentos realizados no ano passado na Irizar Ormaiztegi, tanto em melhorias das instalações, quanto em Investigação e Desenvolvimento (I+D), num total de 18 milhões de euros. A unidade passou por uma ampliação de 1.200 m² com o objetivo de acomodar o escritório e as instalações do Creatio - Centro de Investigação e Desenvolvimento do grupo Irizar, assim como um showroom e um novo e moderno edifício para a entrega de ônibus aos clientes. Essa ampliação do edifício incluiu uma segunda planta e uma nova recepção para acolher o visitante. O showroom tornou-se um grande espaço destinado, principalmente, aos clientes, com um centro de design, onde o cliente poderá configurar os veículos de acordo com o que necessita.

O Creatio é um centro dedicado à investigação aplicada e ao desenvolvimento tecnológico, que apoia os novos desenvolvimentos de ônibus integrais e elétricos, assim como os componentes para os mesmos. Foi criado com o objetivo de ser a chave do desenvolvimento futuro da empresa, com vistas à inovação e à melhoria da competitividade sustentável do grupo e de seu crescimento.

Em comparação ao ano anterior, a produção total da Irizar em 2013 cresceu 15%, motivada, principalmente, pela mudança das normas de emissões que entraram em vigor na Europa em 2014, impondo com a nova motorização Euro 6. Prevendo preços superiores, os clientes anteciparam suas compras, impulsionando o resultado de 2013.

“Com relação ao comportamento dos mercados, 2013 foi um ano em que os mercados europeus e, sobretudo, os periféricos, parecem ter chegado ao fundo. Este ano começa-se a vislumbrar certos crescimentos, especialmente na Espanha e Portugal, onde até abril de 2014 o mercado cresceu 9%”, avalia a empresa, em comunicado oficial.

A tecnologia e a capacitação de talentos tornaram-se focos principais. “Os recursos dedicados ao conhecimento e à tecnologia são cada vez mais intensos e estamos criando os produtos que vão marcar nosso futuro a médio prazo. O esforço de pesquisa é realizado nos principais componentes e sistemas de nossas carrocerias para ônibus convencionais e na totalidade dos sistemas de nossa gama de ônibus integrais”, informa a empresa.

Entre essas expectativas para o futuro, a encarroçadora trabalha no projeto do ônibus urbano 100% elétrico, com zero emissões. Atualmente está finalizando os testes de durabilidade e a primeira unidade estava marcada para ser entregue em San Sebastián neste mês de julho.

O objetivo do projeto chamado de Irizar Electric Bus é desenvolver um novo ônibus elétrico, superando os desafios tecnológicos atualmente existentes na estrutura, com soluções para o sistema de tração, geração e armazenamento de energia, assim como comunicações, controle e operação. Paralelamente, há a intenção de promover o uso do ônibus como a melhor alternativa para o transporte massivo de pessoas nos entornos urbanos.

Brasil – Em uma análise individual de suas unidades industriais, a Irizar Brasil cresceu tanto no mercado interno quanto nas exportações no ano passado. As vendas foram alavancadas, principalmente, pela oferta do modelo i6 e pela estratégia de posicionamento no segmento Premium. Isto possibilitou que a unidade brasileira alcançasse um recorde em seus então 16 anos de história no país, com a produção de 800 ônibus em sua fábrica de Botucatu, no interior de São Paulo.

Mas pela análise divulgada pela empresa, esse quadro não se repetirá este ano. Ao contrário, a tendência é de queda nos negócios em 2014. Segundo a empresa, no final do ano passado, o mercado brasileiro começou a dar sinais de enfraquecimento, o que vem se confirmando este ano, com uma queda de 30% do mercado de ônibus até junho. “A economia começa a enfraquecer, não há confiança dos investidores internacionais e há um problema social importante”, avalia a empresa.

Empresas do grupo irizar

Irizar Marrocos
1996: Criação da companhia em Salé (Rabat)
2008: Instalação da nova planta em Skhirat com capacidade produtiva de 1.000 ônibus/ano

Irizar Brasil
1997(dez): Criação da Irizar Brasil, Botucatu (São Paulo)

Irizar México
1999: Criação da Irizar México, na cidade de Queretaro

Irizar TVS Índia
2001: Criação da Joint Venture com Ashok Leyland e TVS.
2010: Nova planta no sul da Índia

Irizar Africa do Sul
2004: Criação da Irizar Southern Africa, na cidade de Centurion (Pretoria)

Hispacold
1998: Incorporação ao Grupo da empresa Hispacold Internacional
• Climatização para o setor de transporte rodoviário e ferroviário
• Líder na Espanha e uma das referências em nível internacional

Masats
2002: Incorporação ao Grupo da empresa Masats.
• Componentes e sistemas de portas pneumáticas e elétricas, elevadores para pessoas com mobilidade reduzida para o setor de transporte rodoviário e ferroviário.
• Líder na Espanha e uma das referências em nível internacional

Jema
2009: Incorporação ao Grupo Irizar.
2011: Criação da Jema Eletrônica.
• Eletrônica de potência.
• Forte potencial de crescimento em mercados internacionais.
• Sistemas multiplexados para a indústria do automóvel.
• Redes elétricas inteligentes.

Datik
2011: Incorporação ao Grupo Irizar.
• Soluções ITS para gestão e aumento da segurança no transporte.
• Informação inteligente.
• Empresa jovem, nativa digital e com uma forte capacidade de adaptação às necessidades dos clientes.
• Forte potencial do crescimento.

Alconza
2013: Incorporação ao Grupo Irizar.
• Motores e geradores elétricos de até 400MVA. 250 t de peso e 5 m de diâmetro embutido.
• Tecnologia e produtos personalizados que estão adaptados às necessidades do cliente.
• Segmentos de mercado: geração off-shore, hidráulica e industrial para fins especiais.

Creatio– Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do grupo Irizar
2012: Incorporação ao Grupo Irizar.
• É fundamental para o desenvolvimento futuro.
• Potencia a capacidade de pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico do Grupo.
• Trabalha na inovação com uma visão de longo prazo, pensando na melhoria da competitividade sustentável no futuro e seu crescimento gerador de riqueza e emprego em seu campo de atuação.

125 anos de história
• Mais de 3.400 pessoas.
• Plantas de produção em seis países.
• Presença comercial em mais de 90 países dos cinco continentes.

México – Também com números em alta, a Irizar México tem superado recordes produtivos anuais e em 2013 alcançou a marca histórica de 900 unidades graças a uma estratégia baseada na aproximação ao cliente. O foco da empresa é buscar maior penetração no mercado mexicano até que a maioria das empresas de transporte de passageiros do México possui unidades Irizar em suas frotas.

A marca Irizar já é bastante forte nesse mercado, com uma participação superior a 50%, e os ônibus são considerados os mais rentáveis e avançados do país. Para este ano, entretanto, há a expectativa de uma leve retração no mercado mexicano, devido, principalmente, à influência da reforma fiscal que está ocorrendo no país.

Marrocos – No mercado marroquino, a Irizar Marrocos, instalada em Skhirat, é outra que registrou resultados positivos. Ali a empresa lançou no ano passado o modelo i6. “Começamos a tornar realidade o objetivo da Irizar de servir ônibus para o mercado europeu, cuidando de forma especial dos padrões de qualidade oferecidos que já são equivalentes ao resto do grupo.”

A estratégia é fabricar os produtos da mais alta gama em sua planta de Ormaiztegi e, em virtude do crescimento dos mercados, atender às demandas dos outros produtos a partir da planta de Skhirat. Já fabricaram nessa planta as primeiras unidades do modelo i3 low entry para os mercados espanhol, inglês e dinamarquês. Também produziram um lote de 60 ônibus do modelo Irizar Century, sobre chassi Scania, para a Polônia. “Sua economia (do mercado marroquino) tem sido menos afetada pela crise e este ano cresce com força”, analisa a empresa.

Índia – No final do ano passado a em- presa reduziu sua participação na joint venture Irizar TVS Índia para 5%, permanecendo como sócio tecnológico para, em sintonia com a evolução do mercado e da estratégia dos sócios no futuro, poder apoiar o desenvolvimento do projeto mediante transferências de tecnologia.

África do Sul – Em setembro de 2004 foi criada a Irizar África do Sul, na cidade de Centurion (próxima a Pretoria), com o objetivo de fabricar unidades PKD para comercialização nos mercados da África do Sul, Namíbia, Zimbabue, Botsuana, Zâmbia, Malaui, Moçambique, Tanzânia, Quénia e Angola.

História – O primeiro passo dessa trajetória empreendedora foi dado por José Francisco Irizar, que abriu sua ferraria em Ormaiztegi e deslocava-se a todos os cantos da região para atender aos vizinhos e camponeses, a quem reparava e fornecia rodas para as carruagens. Como uma empresa familiar, a Irizar foi fundada em 1889 para fabricação de carruagens para o transporte de passageiros.

Os filhos de José Francisco, José Lorenzo e Cecilio, deram continuidade ao negócio e em 1927 fabricaram o primeiro ônibus da empresa com tração mecânica. Era um veículo de 22 lugares, encarroçado sobre chassi adquirido por um de seus clientes, Julián Apaolaza, na França. O espírito inovador com que os irmãos Irizar enfrentaram esse desafio tornou-se característica nas gerações seguintes até tornar-se sinal de identidade da marca.

Novos progressos no encarroçamento de veículos foram feitos em 1938, com a construção de um ônibus sobre chassi Ford, de quatro cilindros, e em 1948, quando os irmãos Irizar incorporam o metal na produção e lançaram o primeiro veículo semi metálico do mercado, fabricado artesanalmente. Nos anos seguintes sucederam-se novos avanços: ônibus encarroçados sobre chassi Bedford, o primeiro ônibus de dois andares e o ônibus com janelas curvas. A popularidade dos irmãos Irizar aumentou em 1950 com o lançamento da “Rubia” (loira), uma furgoneta de estilo rancheiro que teve uma grande aceitação.

Os veículos totalmente metálicos (estrutura e painéis) começaram em 1954 e diante da possibilidade de continuar crescendo a empresa entrou em contato, dois anos de- pois, com a companhia italiana Orlandi, que fabricava, naquela época, os ônibus que eram considerados os melhores da Europa. Em um ano, a Irizar já estava fabricando o primeiro ônibus com os conceitos de design importados pela fábrica.

No ano 1960 é lançado o ônibus urbano e o modelo Leyland. Nessa década, a presença da Irizar expandiu-se graças à relação comercial iniciada com a empresa Auto-Pullman, que abriu o mercado para todo o estado espanhol e permitiu que os veículos da Irizar de Ormaiztegi começas- sem a ser vistos em Madri, Sevilha, Barcelona e Málaga.

No final dos anos 50 e início da década de 60 surgiu uma nova concepção empresarial nos arredores de Ormaiztegi que reforçava o compromisso das pessoas com a empresa e os trabalhadores passavam a integrar-se como sócios. Foi com essa mentalidade que em 1962 a empresa tornou-se uma cooperativa industrial denominada Irizar Sociedade Cooperativa Industrial, com quarenta e oito sócios fundadores.

Na década de 80, o destaque foi o lançamento, em 1989, do modelo Irizar Century, considerado revolucionário à época, criado para percorrer trechos de média e longa distância e indicado para serviços eventuais. A ação coincidiu com a celebração do primeiro centenário da empresa. Este modelo da fabricante é o mais vendido no mundo, com mais de 20 mil unidades comercializadas até hoje.

Um novo rumo foi traçado para a empresa no início dos anos 1990, quando se definiram novas linhas estratégicas que fizeram com que a Irizar crescesse de forma exponencial e iniciasse sua expansão internacional, levando à criação do Grupo Irizar e lançando as bases do que hoje é a companhia. Koldo Saratxaga se incorporou à Irizar em 1991 e foi quem liderou esse processo, fazendo importantes mudanças que levaram à soma de êxitos nos anos seguintes.

Se no século 19 o desejo de José Francisco Irizar era oferecer soluções inovadoras às demandas dos seus clientes da região basca, no século XXI a Irizar tinha que dar soluções inovadoras aos clientes que se encontravam em todo o mundo, internacionalizando suas atividades. Assim, em 1995 começou o processo de internacionalização com a inauguração de uma planta de produção em Tianjin (China), unidade esta que já encerrou suas atividades há cerca de quatro anos. Um ano depois abriu outra unidade no Marrocos; em 1997 chegou no Brasil e em 1999 começou a operar a fábrica do México, no estado de Querétaro, localização estratégica para entrar no mercado do Canadá e dos Estados Unidos. Em 2001 começou a produzir na Índia, em uma joint venture com Ashok Leyland e TVS, e três anos depois desembarcou na África do Sul. Nesse mesmo ano lançou o modelo Irizar pb e em 2007 apresentou ao mercado o Irizar i4, concebido para atender aos segmentos de curtas e médias distâncias. Em 2009 lançou a versão Irizar i4 LE (Low Entry), que foi o primeiro ônibus baseado em conceitos de funcionalidade, com design de um veículo concebido para o serviço de transportes interurbano e metropolitano.

Já em 2009 a empresa anunciou ao mercado a produção dos primeiros protótipos da gama de ônibus integrais, que foram disponibilizados para os clientes em 2011. Em 2010 foi apresentado ao mercado o modelo Irizar i6, um veículo polivalente de alto padrão, ideal para serviços regulares e eventuais que tem tido ótima aceitação no mercado. Dois anos depois um novo produto é lançado: o Irizar i3, o primeiro lowentry da empresa, desenvolvido para atender às necessidades de transporte nas concentrações urbanas.

Em 2011 chega ao mercado a linha de ônibus integrais da marca e começa o projeto de mobilidade sustentável para cidades. Foi desenvolvida uma gama de ônibus que incluem avanços tanto em segurança ativa como passiva e que oferecem ao cliente uma alternativa à oferta de ônibus fabrica- dos sobre chassi de todas as marcas dispo- níveis nos diferentes mercados. Hoje a em- presa fabrica uma gama de ônibus com os seguintes modelos: Irizar Century, Irizar pb, Irizar i4, Irizar i4LE, Irizar i6 e Irizar i3.

A Irizar no Brasil

O começo da Irizar no Brasil foi marcado por percalços, mas ao longo dos anos a empresa conquistou o mercado nacional com produtos de alto padrão de qualidade

No começo da década de 1990, a matriz da Irizar, sediada ao norte da Espanha, percebeu uma queda na demanda por ônibus rodoviários nos mercados atendidos até então pela fabricante, situados basicamente no sul da Europa. Na época, as vendas se resumiam à própria Espanha, Itália, França e Israel. Diante desse cenário, a diretoria decidiu que era a hora de abrir novas plantas de produção em outros países, principalmente naqueles onde se enxergava um futuro promissor para os ônibus rodoviários. A seleção desses países levou em consideração a pouca expressividade das malhas aérea e ferroviária locais para o transporte de passageiros e o alto índice de utilização do modo rodoviário. A Irizar, então, escalou um executivo que se dedicaria exclusivamente a prospectar novos mercados e a implantar novas fábricas, para expandir sua presença mundial. Depois de analisar ofertas de diversos sócios em potencial, o grupo associou-se a uma empresa da cidade de Botucatu, no interior de São Paulo – que depois acabou indo à falência – e iniciou suas atividades no Brasil em 1997.

O primeiro ônibus rodoviário montado pela encarroçadora foi apresentado oficialmente durante a Expobus, de 1998. “Logo após a boa impressão causada na Expobus, a competitividade mundial da empresa, que era grande, sofreu forte abalo em fevereiro de 1999, quando o real teve uma desvalorização de 40%”, conta João Paulo da Cunha Ranalli, gerente nacional de vendas da Irizar.

A mudança na economia acabou minando um pouco a intenção da fabricante de procurar novos fornecedores nacionais, já que o índice de nacionalização dos ônibus ainda era baixo. “Na época havia muitos comentários da concorrência dizendo que o nosso ônibus era muito fraco e que quebraria facilmente. Os concorrentes espalhavam boatos de que os ônibus da Irizar não eram fabricados em Botucatu, e sim importados. Assim foi o começo da encarroçadora: com pouco mais de 60 funcionários, muitos percalços e uma garra tipicamente espanhola”, relata Ranalli. Entre os principais acontecimentos da história da empresa no país o executivo destaca os lançamentos dos modelos NC, em março de 2005, do PB, em outubro de 2010 e do i6, em novembro de 2012.

No ano passado a Irizar produziu no Brasil 804 ônibus, um crescimento de quase 13% sobre 2012. Este resultado é atribuído à boa aceitação dos ônibus rodoviários i6 que, no mercado interno, tiveram um aumento de 37,5% nas vendas, em comparação ao ano anterior. O i6 representou 80% das unidades produzidas no ano passado, seguido do Century, com 16% de participação e do PB, com 4% da produção. As exportações da unidade brasileira em 2013 somaram 459 unidades destina- das a países da América do Sul, América Central, África e Oceania.

Ranalli avalia que o crescimento da demanda pelo i6 prova que o produto reúne todas as expectativas e necessidades do mercado e contém as inovações exigidas pelos usuários e legislações. O i6 foi projetado a partir da coleta de dados técnicos e de mercado dos principais centros consumidores do mundo. “A carroceria tem o menor coeficiente aerodinâmico do mercado, a melhor distribuição de pesos e atende a todas as normas brasileiras e internacionais de segurança. Consequentemente, temos o menor consumo de combustível e o menor custo por quilômetro rodado”, defende.

Nos primeiros seis meses deste ano, o segmento rodoviário sofreu uma queda de 47% nos mercados atendidos pela fabricante a partir da unidade do Brasil, sendo que a maior retração está no próprio mercado interno. Esse comportamento originou para a Irizar uma retração no mercado interno de 39% e no mercado externo de 16%, em comparação ao primeiro semestre do ano passado.

Para 2014, a previsão de vendas para o mercado interno é de manutenção do patamar de 2013, mas com o receio de uma possível retração. Para o mercado externo, a expectativa é manter os resultados obtidos no ano passado.

Indagado sobre como a empresa projeta seu crescimento no Brasil para os próximos anos, Ranalli prevê um cenário otimista, apesar das dificuldades. “O Brasil está atravessando um ano complicado industrialmente, com eventos extraordinários, tais como Copa do Mundo e eleições, que fizeram com que a economia tivesse uma desaceleração mais acentuada do que estava acontecendo nos anos anteriores. Mesmo assim, a expectativa da Irizar é que nos próximos anos o Brasil vai retornar aos valores esperados de crescimento e, com certeza, a Irizar acompanhará essa tendência”, estima.

Hoje a Irizar Brasil ocupa uma área construída de 22 mil m² em Botucatu, com capacidade de produção de quatro veículos por dia. “A produção atual é de três ônibus por dia, o que significa que a unidade está preparada para atender a demandas até 25% superior ao volume atual, ou o equivalente a um número próximo de mil ônibus por ano”, resume.

Comparativamente à produção da em presa na Espanha, Ranalli acredita que a qualidade dos ônibus feitos na unidade brasileira é equiparável à da planta principal de Ormaiztegi. “Pequenos detalhes diferenciam os produtos fabricados no Brasil, como as poltronas aqui produzidas, que foram desenvolvidas com um maior padrão de conforto, projetadas para acomodar os passageiros em viagens de longas distâncias, considerando a possibilidade de pernoitar nos ônibus”, diz.

A Irizar fábrica no Brasil também partes e componentes de seus próprios ônibus, como as poltronas, conjuntos estruturais e equipamentos de ar-condicionado. As poltronas são fabricadas em Botucatu desde 2010; os conjuntos estruturais e os equipamentos de ar-condicionado são fabricados parte na própria planta e parte em terceiros, e são feitos desde que a empresa se instalou no país.

Na Espanha a maioria da produção das partes e componentes é terceirizada. “Na Europa, assim como em alguns países do continente americano, a legislação de impostos contribui e estimula o processo de terceirização; no Brasil, devido à cobrança exagerada e em cascata dos impostos, nós somos obrigados a verticalizar para sermos competitivos”, afirma.

Tecnologia – O desenvolvimento tecnológico é uma das apostas da empresa para o futuro. A Irizar possui na Europa o Centro de Investigação e Desenvolvimento – Creatio, que apoia o desenvolvimento de ônibus integrais e elétricos da montadora, assim como os componentes para os mesmos, e o programa de captação de talento (ITP). “Os esforços dedicados ao conhecimento e à tecnologia são cada vez mais intensos e estamos criando os produtos que vão marcar nosso futuro a médio prazo. O esforço da pesquisa ocorre nos principais componentes e sistemas de nossas carrocerias”, defende.

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